Eu já estou até afim de escrever um livro: doença,uma gripe ou aula pós morta? Parece que estou pagando pelo que não fiz:cuidar de mim mesma.Mas eu sou inocente,veja bem,eu não fiz nada.Dores na espinha? Tosse crônica? Vírus tropical? Não!Ou tudo isso como preferirem,saúde corporal me importa,mesmo que pouco,se o que eu tenho mais orgulho e da minha sujeira mental e como eu posso embaralhar as cabeças de alguém que seja.Só sei que já estou com um nojinho de alguns professores e “coleguinhas” sabichões,o que me faz ficar mais doente.As pessoas abrem suas bocas para mostrar domínio do conteúdo e mastigar pessoas,exclamando o quanto são muito mais inteligentes,mas não sabem que a mais digna das sabedorias é que não sabemos de absolutamente nada e que aprendemos um pouco com cada serzinho a cada dia.Não me lembrem do vestibular no final do ano,que eu estou encarando esta referida prova como mais um obstáculo ultrapassável,e irei responder o que sei,o que felizmente apanhei no meu caminho escolar, e não em menos de 8 últimos meses na prisão escolar.É até um pouco reconfortante ver pobres máquinas de aprender se preocupando com o que o pai vai falar com suas notas escolares,enquanto eu fico mais me deliciando com cada palavrinha dita nas boquinhas dos professores e encaro-as com mais naturalidade.Eu não comando o meu cérebro,e sim o exercito,não cabe a mim obrigá-lo a nada,ele é um ser próprio que só aceita o que quer.Não é que eu não vá lá e estude,pois isso pode ter certeza que vou,mas a ordem é não se matar,doses homeopáticas de come-livros causam menos retardamento que uma explosão de conteúdos de uma única só vez;É como tomar várias medicamentos em um único momento,que ele vai lá e diz:”Agüente as conseqüências”.
Com estas náuseas a única coisa que dá para fazer é ficar deitada,olhando para o teto e esperar que as dores passem,esse visitante incômodo! E o tempo passa comigo enterrada na cama,debaixo do edredom, mais um minuto esgotado até ao meu grande encontro com o meu livro de questões.
Farnese Andrade,artista intimamente ligado com o simbolismo e o surrealismo,um dia foi questionando quanto ao lugar mais caro do mundo e ele respondeu: a barriga da mãe,pois pagamos a vida inteira por 9 meses de estadia.
Chovendo, gotas, pingos de iluminação, que não faz arco íris, mas irriga o sertão, assim, vai caindo bestamente, avançado pelo ar,invadindo o estado gaseificado,atingindo os olhos,fazendo e transformando a superfície em ondas,pra corar transluzir as imagens e pro dedo coçar,impacientemente,querendo tirar o pó,bactérias e microorganismos que fazem parte do que é admirado ou repudiado,pelos olhos...
A olhos vistos é uma pessoa maluca, um estrago da sociedade, que vive dando pulos de alegria ao ver um carro simples correndo ou uma senhora com um carro de compras despejando as sacolas no porta malas. Os dentes podres denunciam uma vida amarga,ou com quase nenhuma pois do amargo não conhece a boca já que não teve muito tato com a comida que lhe falta com uma alimentação parca sem o mínimo de higiene mas mesmo assim abre a boca pra sorrir,pelo menos para isso.Na esquina número tal após algumas horas de ingestão solar,fica olhando para o nada,o vácuo que aquece seus olhos,pois nem pisca o velho,assim como assim em êxtase,não sei se nem isso,distraído não é tão apropriado para ele pois precisa prestar atenção nos detalhes cotidianos para transformá-los
Todos os dias vive num front de batalha da idade média que de vez em quando voa ou nada até cair e quebrar o dente em alguma parede urbana. Só ele entende que tirar proveito do triste é bom, só para ele, mas é bom, já que o mundo todo está dentro da sua cabeça cheia de imaginação. Vai assim percorrendo com asas, o outro lado da cidade, esmurra em pensamento o grande cavaleiro, o que não passa de um padeiro mal humorado que lhe nega um prato de sopa nas manhãs tão frias; combate as grandes forças do mau num fluxo de raios perfeitos liberados de seus obtusos olhos. Se da comida e do conforto pereceu, resolveu criar uma e se suporta com ela. O mais importante é dizer que doido que é doido não aceita coisas tão simples, cria e se metamorfoseia a cada ocasião. Vive assim gargalhando por nada aparente, assustando um transeunte, mas debaixo do globo ocular está uma nova história para contar em mais um desses grandes livros de ficção, que logo vai ser esquecido na estante e as pessoas que se por milagre puderem ler, se esqueceram mais tarde do personagem que vai dormir debaixo de um papelão velho com a calça rasgada e sonhos espalhados pela calçada.
Você é cego? Então porque fecha os olhos para o que está ao seu redor?Porque não sente, mesmo que sofra um pouco, a tua desordem?Tu mesmo, que tem medo de chuva. Medo de ficar de molho. Medo de sentar confortavelmente de mau jeito. Medo de ficar só, de ficar doente e de ser agressivo .Que toma remédio para tudo,que não pensa antes de meter algumas pílulas dentro do copo com água e fechar os olhos e ver que isso não é vida.Amigo,porque perde tanto tempo com estes antidepressivos, redutor, vitaminas? Se tu és fruto da carne natural, vivo para não depender do consumo medicamentício. Se Sente tanta dor, suporta-o, não digo que é para viver sofrendo, mas apelo para uma coisa mais natural, remédios é para fazê-lo ficar cada vez mais doente. Se o tédio chega então porque não pode suportá-lo,sorrir e se amargurar um pouco?Já sei,já sei, prefere as danadas das injeções, mas que droga! Porque não vai dormir ou ler, assisti televisão até tarde pra esquecer que você existe?O quê? Você também diz que precisa da bebida pra se sentir feliz um pouco, nem que seja momentaneamente? Quer dormir, mas a insônia não o deixa?Os anjos realmente não colaboram com você para dá-lo algum soninho numa madrugada fria de uma cidade sozinha no mapa... Sei,sei,não,não sei de não. Não percebe que tomando tanta novalgina você não vai encontrar a cura?Aliviar a dor é o que a bula diz,mas não se transforme nela porque viver é sofrer e a melhor forma de aliviá-la é vivendo,será que me entende?
Fala as coisas sem pensar e não pensa no que fala.